Síntese Histórica

 

Em 1762, o Conde de Lippe, reorganizando o Exército, criou dois batalhões, o 1º e 2º Regimentos de Olivença. É do 2º Regimento de Olivença que provém o Regimento de Infantaria Nº 15.

Em Junho de 1807 o General francês Junot entra em Lisboa. Seguindo os conselhos de Napoleão, de que não deveriam ser dadas hipóteses para os portugueses se organizarem. Entre outros processos utilizados, Junot tentou desarmar a Nação reduzindo o número de efectivos do Exército Português. Tal como havia sido dito por Napoleão: "La Nation Portuguaise est brave". Com alguns dos nossos melhores militares, Junot formou a Legião Portuguesa e um batalhão de caçadores com os homens do 15. Os seus feitos notáveis em Wagram, Smolensko, Moscovo e no Berezina mereceram os melhores elogios de Napoleão.

Depois da primeira invasão francesa o Regimento foi reorganizado e enviado para Vila Viçosa. Mais tarde foi mandado guarnecer a linha do Tejo, entre Tomar e Torres Novas, de outra possível invasão francesa. Posteriormente foi enviado para Castelo Branco e depois para Lamego onde mereceu os maiores elogios do General Sir William Car Beresford a quem estava entregue o comando do Exército Português. O Regimento permaneceu, então, durante algum tempo em Braga e foi de novo mandado guarnecer a linha do Tejo.

Durante a Guerra Peninsular, que se seguiu à invasão francesa, o Regimento tomou parte em diversas batalhas. A mais notável de entre elas foi a de Badajoz, pela coragem demonstrada pelas tropas. O Regimento era então comandado pelo Coronel Barreto, cognominado O Bravo pelo Marechal Beresford. Na renhida batalha de Victória, que obrigou os franceses a abandonarem definitivamente o território da Península, as tropas portuguesa distinguiram-se tão extraordinariamente, que Beresford pediu ao Príncipe Regente uma distinção especial para alguns Regimentos, entre os quais figura o RI 15.

Com a tomada de San Sebastian travou-se uma das acções mais sanguinolentas da Guerra Peninsular. Após várias tentativas frustradas para conquistar a cidade, o General Barreto tomou a Bandeira do 15 nas mãos e clamou para o seu antigo Regimento: "Soldados! Pertence agora ao vosso comandante morrer nesta praça". E assim se expulsou definitivamente o exército francês da Península Ibérica. Em comemoração destes feitos a Bandeira do Regimento ostenta os nomes e datas destas batalhas bordados a ouro.

Após a Guerra Peninsular o Regimento ficou aquartelado em Braga e foi mais tarde transferido para Guimarães. Em Junho de 1877 destacou o seu primeiro batalhão para o Brasil onde tomou parte no Movimento Liberal do Rio de Janeiro. De novo em Portugal, teve papel activo nas lutas liberais, sendo elogiado pela sua leal conduta com o legítimo soberano e com as instituições liberais por ele outorgadas. Posteriormente tomou parte nas campanhas da liberdade na defesa das ideias liberais tendo recebido várias condecorações pela maneira como se distinguiu nos diferentes combates e acções.

Entre 1834 e 1901, o RI 15 foi dissolvido e reorganizado por diversas vezes, ora em Estremoz, ora em Lagos, em Évora ou em Faro. Em 1901 foi transferido para Tomar.

Já no Século XX o RI 15 participou na primeira Guerra Mundial e o seu batalhão expedicionário distinguiu-se pela sua bravura e coragem nas batalhas de 14 de Agosto de 1917, 7 de Março de 1918, e sobretudo na famosa batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918. A bandeira do RI 15 tornou-se a mais condecorada do Exército Português, ganhando a honra de passar a formar à direita de todas as forças em parada militar.

Em 1926 o RI 15 foi transferido para Lagos mas em 1939 estabeleceu-se de novo e definitivamente em Tomar.

Em 1941 destacou um batalhão para Cabo Verde em missão de soberania, onde se manteve com o brio de sempre até ao seu regresso em 1944.

Entre 1961 e 1974, foi uma das principais unidades mobilizadoras de tropas para a Guiné, Angola e Moçambique, tendo nesse período, as suas unidades expedicionárias sofrido 637 mortos em combate.

Em 1964 deixou o velho Convento de S. Francisco, no centro da cidade de Tomar, e instalou-se no Quartel do Alvito, na Estrada de Coimbra.

A 14 de Março de 1966, o Presidente da República do Brasil atribuiu à bandeira do RI 15 as insígnias da Ordem de Mérito Militar daquele país.

Após o 25 de Abril de 1974, manteve-se sempre exemplo de estabilidade, isenção e intransigente apartidarismo, facto que lhe valeu honroso louvor concedido em 19 de Maio de 1976 pelo Comandante da Região Militar Centro.

Em 1977 o RI 15 recebe o encargo de formar, instruir e manter operacional o 1º Batalhão de Infantaria Motorizado (1ºBIMoto) da 1ª Brigada Mista Independente (1ªBMI). Até à data da sua extinção, em 1993, o 1ºBIMoto, integrado em forças da OTAN, participa em diversos exercícios militares merecendo sempre o apreço das forças aliadas.

Em 23 de Novembro de 1979, o então designado Regimento de Infantaria de Tomar, passou a ser Unidade Gémea do 1º RI de Sarrebourg, França, a unidade mais antiga da Cristandade, em cerimónia efectuada em Sarrebourg, presidida pelo comandante do 1º Corpo de Exército Francês, perante uma delegação do Regimento.

Por despacho do General Chefe do Estado-Maior do Exército, o Regimento de Infantaria 15 passou a fazer parte do Comando das Tropas Aerotransportadas desde 1 de Janeiro de 1998. Nesse mesmo mês de Janeiro destaca para a Bósnia-Herzegovina o seu Batalhão de Infantaria Aerotransportado (1ºBIAT). O batalhão permaneceu na Bósnia até Julho, integrando uma Brigada Multinacional da Força de Estabilização (SFOR) da OTAN, o seu desempenho em prol da paz na Bósnia mereceu os mais rasgados elogios das autoridades militares e civis da OTAN.

Durante o ano de 1999 o RI 15 foi uma das unidades mais activas no apontamento e preparação de forças para projecção no exterior. Em Fevereiro de 1999 um Pelotão do 1ºBIAT participa na operação de ajuda humanitária à Guiné-Bissau. Em Setembro, no auge da crise em Timor, o RI 15 é incumbido de aprontar um Agrupamento, constituído com base no 1ºBIPara e integrando uma Companhia de Fuzileiros, destinado a integrar uma força multinacional para Timor. Por decisão das Nações Unidas a participação portuguesa não se concretiza na fase inicial da operação, mas logo é iniciada a preparação do 1ºBIPara para integrar a Peacekeeping Force da United Nations Transitional Administration in East Timor (PKF/UNTAET). O 1ºBIPara permanece em Timor de Fevereiro a Agosto de 2000 integrando o Contingente Nacional em Timor.

Em Fevereiro de 2000 o Batalhão de Apoio de Serviços da BAI (BAS/BAI) é transferido do CTAT para o RI 15, passando a ser um encargo do Regimento. O BAS/BAI é o responsável por todo o apoio de serviços às unidades operacionais da BAI incluindo as que se encontram destacadas.

No 2º semestre de 2001, participou com um efectivo de 352 militares, na missão de Reserva Operacional Terrestre do COMSFOR, no TO da Bósnia-herzegovina.

No 1º semestre de 2003, participou com um efectivo de 290 militares, na Operação "JOINT FORGE" na Bósnia-Herzegovina, como elemento de manobra do “Multinational Battle Group”. Recebeu para o efeito uma Companhia da Eslovénia sob controlo operacional.

No 1ºSemestre de 2005, a Brigada Aerotransportada Independente (BAI) é transformada na Brigada de Reacção Rápida (BrigRR), a qual o 1ºBIPara passa a integrar.

Em 2005, decorrente dos compromissos assumidos por Portugal na conferência de geração de forças para a NATO Responses Force 6 (NRF 6), o 1ºBIPara treinou tarefas específicas para cumprir a missão de “entry force”, inserido na 19 Light Brigade (UK), que se constituiu como “Land Componente Comand” da NRF6.

Durante o 1º semestre de 2006, o 1ºBIPara ficou em prontidão operacional de 5 dias de NTM (Notice to move), para cumprir missões no âmbito da NRF 6, em qualquer local do mundo.

Em virtude de o efectivo do Batalhão para a NRF 6 ser de 637 militares, permitiu que no 2º semestre de 2006, o Batalhão gerasse duas FND’s. Uma destinada ao Kosovo com 290 militares, como Reserva Táctica do Comandante do TO, e outra com 149 militares para o TO do Afeganistão, como Força de Reacção Rápida.

No rescaldo da autoproclamada independência do Kosovo, em início de 2008, o 1ºBIPara voltou novamente a assumir a missão de Reserva Táctica do Comandante da KFOR.

No 1ºSemestre de 2009, o Batalhão atribuiu de reforço a 11ªCompanhia de Pára-quedistas ao 2ºBIPara - aquartelado em Aveiro - por este estar a cumprir missão de prontidão no âmbito da NRF 13.

Presentemente, o Batalhão encontra-se em treinos para voltar a cumprir missão de Reserva Táctica no TO do Kosovo, a partir de Setembro de 2010.

Sábado, 29 de Novembro de 2014

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